O Trevo do Belvedere, em Belo Horizonte, entrou em uma nova fase de execução após o içamento de três vigas que sustentarão a ampliação do viaduto da Avenida Raja Gabaglia sobre a MGC-356. A operação ocorreu no último fim de semana, das 8h de sábado (5) às 7h de segunda-feira (7), e mobilizou mais de 500 pessoas ao longo de cerca de 48 horas. Conduzida pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital, a Sudecap, a manobra marcou a passagem da obra para a frente de serviços sobre a estrutura, etapa decisiva para viabilizar a ampliação de cinco para seis faixas.
O avanço tem peso que vai além do cronograma físico do contrato de R$ 22,8 milhões, com conclusão prevista para 2027. Em uma intervenção viária urbana de alta interferência, o içamento pesado funciona como marco crítico de planejamento: sem a instalação das vigas, não avançam a pré-laje, a execução da laje ou tabuleiro com concretagem, o asfaltamento e a adaptação da barreira New Jersey necessária para entregar três faixas por sentido no viaduto.
Nova fase executiva começa sobre o viaduto
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, as três vigas içadas vão sustentar a ampliação do viaduto da Raja Gabaglia sobre a MGC-356. O conjunto somou 182 toneladas, sendo duas vigas laterais de 36 toneladas cada e uma viga central de 110 toneladas. Para a operação, foi contratado um guindaste com capacidade superior a 700 toneladas, dado que ajuda a dimensionar a complexidade da manobra em ambiente urbano e sob condicionantes de tráfego.
Uma operação extremamente complicada e delicada, que exigiu planejamento, coordenação e responsabilidade de todos os envolvidos.
O içamento foi tratado pelo poder público como um ponto de inflexão da obra. Isso ocorre porque a ampliação do viaduto depende de uma sequência construtiva rigidamente encadeada: primeiro a montagem dos elementos estruturais principais, depois a instalação da pré-laje, em seguida a execução da laje ou tabuleiro com concretagem, e só então os serviços de pavimentação e reconfiguração operacional da plataforma.
Na prática, o lançamento das vigas destrava a frente superior do viaduto e permite que a obra deixe uma fase mais concentrada em preparação e suporte para ingressar em uma etapa de produção estrutural visível ao usuário da via. Fabiana Raso, engenheira da Diretoria de Infraestrutura da Sudecap, indicou que esse avanço abre caminho para os trabalhos na parte superior da estrutura e para os ajustes geométricos associados ao novo desenho do trevo.
Estamos muito satisfeitos por termos alcançado essa fase de executar os trabalhos na parte superior do viaduto.
Sequência técnica após o içamento
As fontes consultadas convergem sobre a linha executiva das próximas etapas. A primeira delas é a instalação da pré-laje sobre as vigas recém-lançadas. Depois, a obra avança para a execução da laje ou tabuleiro, com concretagem. Concluída essa fase estrutural, entra o asfaltamento definitivo da nova faixa. Por fim, a barreira New Jersey será adaptada para permitir que cada sentido passe a operar com três faixas.
Há uma diferença de redação entre as fontes sobre a barreira New Jersey. A comunicação da Prefeitura menciona remoção e adaptação, enquanto a outra fonte fala apenas em adaptação. O ponto confirmado e relevante é a reconfiguração do dispositivo para viabilizar a nova geometria operacional.
Outro ponto informado pela Prefeitura é a conclusão, nos próximos dias, da montagem dos andaimes revestidos de proteção. Embora as fontes não detalhem especificações, esse tipo de estrutura temporária é central em frentes sobre vias em operação, porque organiza acesso, contenção de materiais e proteção da área inferior durante serviços subsequentes.
Logística urbana e janela operacional
O caso do Trevo do Belvedere evidencia um padrão recorrente em obras viárias urbanas de maior porte: a concentração de atividades críticas em janelas operacionais de fim de semana para reduzir interferências sobre o tráfego cotidiano. A operação começou às 8h de sábado (5) e terminou às 7h de segunda-feira (7), totalizando cerca de 48 horas de mobilização contínua.
Esse recorte temporal, por si só, mostra que o içamento não se resume ao momento de levantar a carga. Em intervenções desse tipo, a janela inclui preparação de área, posicionamento de equipamentos, isolamento, apoio operacional, monitoramento, comunicação com órgãos de trânsito e liberação gradual da frente. No Trevo do Belvedere, participaram Sudecap, Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, BHTrans, Guarda Civil Municipal, Defesa Civil, Polícia Militar e Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, além das empresas contratadas.
Para o mercado de infraestrutura, a mobilização de mais de 500 pessoas direta ou indiretamente envolvidas reforça a natureza sistêmica do içamento pesado em corredor urbano. Não se trata apenas de disponibilidade de guindaste e equipe de rigging, termo técnico para amarração e movimentação de cargas. A operação exige governança entre engenharia, segurança do trabalho, gestão de tráfego, fiscalização, comunicação institucional e coordenação com agentes públicos externos ao canteiro.
É importante a população perceber que essa obra está avançando.
Segurança e sequenciamento ganham centralidade
A apuração não detalha os protocolos específicos de segurança adotados na operação, mas o enquadramento técnico do caso remete às exigências das normas regulamentadoras aplicáveis à construção e à movimentação de cargas. Em especial, a NR-18, a NR-11, a NR-12 e a NR-35 formam a base regulatória mais imediata para planejamento de içamento, isolamento de área, uso de equipamentos, trabalho em altura e controle das interfaces entre pessoas, máquinas e cargas suspensas.
No plano prático, a relevância do caso está em mostrar que o içamento é apenas uma etapa de uma cadeia de risco que continua nas frentes seguintes. A instalação da pré-laje, a execução do tabuleiro e a concretagem sobre estrutura elevada mantêm a obra em regime de atenção operacional, com necessidade de controle de acesso, inspeção de equipamentos e compatibilização entre frentes civis e dispositivos temporários de proteção.
Também chama atenção o peso relativo da viga central, de 110 toneladas, frente às duas vigas laterais, de 36 toneladas cada. Essa assimetria de cargas, ainda que sem detalhamento técnico adicional na apuração, sugere uma operação com exigências distintas de posicionamento, estabilização e controle de manobra entre os elementos lançados. Em obras urbanas, isso costuma impactar o tempo de janela, o arranjo do equipamento principal e a coordenação entre equipes de solo e de montagem.
Reflexo no mercado brasileiro
Para gestores de obra vertical e de infraestrutura, o avanço do Trevo do Belvedere reforça uma leitura importante do mercado brasileiro: operações de içamento pesado em ambiente urbano estão cada vez mais associadas à capacidade de coordenação logística, e não apenas à contratação do equipamento principal. A mobilização de mais de 500 pessoas em cerca de 48 horas mostra que o custo operacional e o risco de interface crescem à medida que a obra depende de janelas curtas, múltiplos órgãos públicos e manutenção do entorno em funcionamento.
Do ponto de vista técnico, o caso também ajuda a iluminar a relação entre içamento pesado e movimentação vertical no canteiro ampliado. Em obras com frentes simultâneas, a disciplina de transporte de materiais e pessoas prevista na NR-18 deixa de ser um tema restrito a edifícios e passa a dialogar diretamente com infraestrutura urbana. A lógica é a mesma: planejar fluxos, segregar áreas, definir acessos, controlar interferências e garantir que equipamentos de elevação e apoio operem dentro de rotinas de inspeção e uso compatíveis com a criticidade da frente.
Há ainda um efeito sobre a demanda por soluções temporárias de acesso e suporte. A conclusão dos andaimes revestidos de proteção, mencionada para os próximos dias, indica que o pós-içamento depende de uma cadeia de equipamentos auxiliares para montagem, concretagem e acabamento estrutural. Em termos de mercado, isso reforça a importância de planejamento integrado entre içamento principal, acesso em altura, proteção coletiva e abastecimento de materiais, sobretudo quando a obra precisa manter produtividade sem ampliar a exposição ao risco.
Outro reflexo relevante está no sequenciamento executivo. O caso de Belo Horizonte mostra que o içamento não é fim em si mesmo, mas um gatilho para liberar etapas subsequentes com impacto direto no prazo. Pré-laje, laje ou tabuleiro, concretagem, asfaltamento e adaptação de barreira compõem uma cadeia em que qualquer atraso na etapa crítica inicial repercute sobre a entrega da capacidade viária. Para o gestor brasileiro, isso reforça a necessidade de tratar o plano de içamento como peça central do cronograma executivo, e não como atividade acessória.
O que monitorar
O gestor de obra deve acompanhar a cadência entre instalação da pré-laje, execução do tabuleiro com concretagem e asfaltamento, porque esse encadeamento definirá a velocidade real de liberação da nova faixa. Também merece atenção a adaptação da barreira New Jersey e a conclusão dos andaimes revestidos de proteção, já que esses elementos condicionam segurança operacional e transição para a configuração final de três faixas por sentido.








